Todo lojista com catálogo grande já pensou em jogar a descrição de 3 mil SKUs pro ChatGPT e colar de volta. O medo que aparece na sequência é sempre o mesmo: o Google vai me penalizar?
Não por usar IA. O Google escreve isso com todas as letras na política de spam. O problema é outro, e é bem mais fácil de cometer sem perceber.
O que o Google chama de spam aqui
A regra que pega loja é a de scaled content abuse, na página de políticas de spam da Busca. A definição é curta: gerar muitas páginas com o objetivo principal de manipular ranking, e não de ajudar quem lê.
Repare no que a frase não diz. Não diz "gerado por máquina". Um dos exemplos listados é justamente usar ferramenta de IA generativa pra produzir muitas páginas sem agregar valor ao usuário. O critério é o resultado, não a ferramenta.
Na prática, o que derruba uma loja é a descrição que serve pra qualquer produto: três parágrafos de adjetivo, zero medida, zero material, zero compatibilidade. Se você trocar o nome do produto e o texto continuar fazendo sentido, ele não tem valor nenhum — foi escrito pro robô.
O caminho contrário também é simples: mande dado real pro modelo. Voltagem, dimensão, material, garantia, o que vem na caixa. Aí o texto sai diferente pra cada SKU porque o insumo é diferente.
Um gerador que roda dentro do admin
Copiar e colar produto por produto não escala. O módulo Mageprince_MageAI é open source (GPL-3.0-or-later) e coloca um botão de gerar do lado dos campos de descrição na tela do produto:
composer require mageprince/magento2-mage-ai
php bin/magento module:enable Mageprince_MageAI
php bin/magento setup:upgrade
php bin/magento setup:di:compile
php bin/magento setup:static-content:deploy pt_BR -f
php bin/magento cache:flushA configuração fica em Stores > Configuration > Mageprince > Mage AI. Ele aceita três provedores — Gemini (o padrão), OpenAI e Anthropic — e cada um tem seu par de campos de Base URL, API Key e modelo. Os caminhos de config, se você preferir a CLI:
| Caminho | Pra que serve |
|---|---|
mageai/api/provider | gemini, openai ou anthropic |
mageai/general/baseline_prompt | instrução fixa que entra em toda geração |
mageai/product_description/attribute | quais atributos do produto vão junto no prompt |
mageai/product_description/description_prompt | o prompt da descrição completa |
mageai/product_description/temperature | vem 0.5; mais que isso começa a inventar |
A chave de API é gravada com o backend model Magento\Config\Model\Config\Backend\Encrypted, ou seja, criptografada com a crypt key da loja. Mesmo assim, use uma chave separada e com limite de gasto.
O prompt é o que muda tudo
O prompt que vem de fábrica já é decente: pede HTML limpo, proíbe emoji e exclamação, limita tamanho e injeta o nome e os atributos do produto pelos placeholders {{ product.name }} e {{ product.attributes }}. O que falta nele é você.
Duas coisas resolvem isso. Primeira: marque em Content Based on Selected Product Attributes os atributos que realmente descrevem o seu produto. Vem só name ligado por padrão, e nome de produto sozinho não dá material pra ninguém escrever nada específico.
Segunda: use o Baseline Prompt pra fixar a voz da loja e as regras do seu nicho. Algo assim:
Loja de ferramentas para marcenaria, público profissional.
Trate o leitor por você. Frase curta.
Sempre cite voltagem, potência e o que acompanha o produto.
Nunca prometa prazo de entrega, frete ou desconto.
Não invente certificação, norma ou garantia que não estiver nos atributos.Essa última linha é a mais importante. Modelo de linguagem preenche lacuna com o que soa plausível, e num catálogo isso vira informação errada sobre um produto que você vende de verdade — problema de Código de Defesa do Consumidor, não de SEO.
Como eu rodo isso numa loja de verdade
Nunca solto o catálogo inteiro de uma vez. O que funciona aqui:
- Gero 20 produtos de uma categoria e leio os 20. Se dois saíram parecidos, o problema é falta de atributo, não o modelo.
- Ajusto o baseline e os atributos selecionados, e só então rodo a categoria inteira.
- Deixo os campeões de venda de fora. Produto que traz dinheiro merece texto escrito por gente.
- Publico em lote e acompanho no Search Console por categoria, não por loja inteira.
E uma regra que não abro mão: alguém da equipe lê antes de salvar. Não é sobre o Google — é sobre o cliente que compra a furadeira errada porque o texto disse 220V e o produto é 127V. Se você quer entender o resto do que dá pra automatizar com segurança, escrevi sobre isso no guia de IA no Magento e Adobe Commerce.
Perguntas rápidas
O Google consegue detectar que o texto foi feito por IA?
A pergunta não importa muito na prática. A política de spam da Busca julga o valor da página, não a origem do texto. Descrição específica, com dado real do produto, passa. Texto genérico repetido em mil páginas cai, tenha sido escrito por máquina ou por um estagiário com pressa.
Posso gerar também a meta description e o title com o módulo?
O Mageprince_MageAI foca em descrição curta, descrição completa e imagem de produto e categoria. Meta title e meta description você continua preenchendo no próprio produto ou por importação, e vale mais a pena escrever à mão porque são poucos caracteres e é ali que o clique acontece.
Quanto custa rodar isso num catálogo de 3 mil produtos?
Depende do provedor, do modelo escolhido e do tamanho do prompt, então não dá pra cravar número. O que dá pra fazer é medir: gere 20 produtos, olhe o consumo no painel do provedor e multiplique. Comece pelo modelo mais barato da lista, que para descrição de produto costuma dar conta.
Pra conferir na fonte
- Spam policies for Google web search — Google Search Central
- Google Search's guidance about AI-generated content — Google Search Central
- mageprince/magento2-mage-ai — GitHub
- Mageprince_MageAI etc/config.xml — GitHub